Tarifas · Belo Horizonte, MG

Catraca Livre: BH tem primeiro fim de semana inteiro de ônibus de graça

Feriado da padroeira em 15 de agosto estende a tarifa zero dos ônibus de BH ao sábado. Em oito meses, programa somou 10,1 milhões de passageiros.

Pela primeira vez desde a criação do programa Catraca Livre, os ônibus municipais de Belo Horizonte circularam sem cobrança de passagem durante um fim de semana inteiro. Como o sábado, 15 de agosto de 2026, foi feriado municipal da padroeira da cidade, Nossa Senhora da Boa Viagem — data em que a Igreja celebra a Assunção de Nossa Senhora —, a gratuidade que vale aos domingos e feriados se estendeu de 0h de sábado até 23h59 de domingo, 16. A Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) anunciou a medida em 13 de agosto.

No mesmo comunicado, a prefeitura divulgou um balanço de oito meses do programa: desde 14 de dezembro de 2025, 10,1 milhões de passageiros usaram os ônibus sem pagar tarifa nos dias contemplados, com média de 265 mil usuários por dia de gratuidade. Segundo a PBH, isso representa aumento de 40% no número de usuários do transporte coletivo nesses dias em comparação com o período anterior ao benefício.

Como funciona a tarifa zero em BH

O Catraca Livre foi lançado pelo prefeito Álvaro Damião (União Brasil) em dezembro de 2025, como parte das comemorações do aniversário de 128 anos da capital. O decreto foi assinado em 11 de dezembro, e o primeiro domingo gratuito foi o dia 14.

A gratuidade vale para todas as linhas convencionais e suplementares do sistema municipal, aos domingos e nos feriados nacionais e municipais. Não entram as linhas metropolitanas, que são gerenciadas pelo governo de Minas Gerais, e não há integração tarifária com o metrô durante os períodos gratuitos — o benefício não se estende ao trem.

Para passar pela roleta, o passageiro com Cartão BHBUS deve encostar o cartão no validador, como em qualquer dia. Nos dias de gratuidade, o cartão serve apenas para liberar a catraca e contar os passageiros: não há desconto de créditos nem registro de integração. Quem não tem o cartão pode pedir ao motorista ou ao agente da estação que libere a roleta.

Quanto custa e quem paga

Na assinatura do decreto, o custo estimado do programa foi de cerca de R$ 40 milhões por ano, segundo reportagem de O Tempo. A conta foi montada em parceria com a Câmara Municipal, que devolveu ao Executivo recursos economizados pelo Legislativo, e com uma parcela anual reservada no orçamento da prefeitura.

Na época, Damião fez questão de separar a gratuidade do reajuste da tarifa: a passagem das linhas convencionais subiu de R$ 5,75 para R$ 6,25 em 1º de janeiro de 2026, correção que o prefeito atribuiu a custos como diesel e salários, e não ao Catraca Livre. Para entender o que entra nesse cálculo, veja o guia como a tarifa de ônibus é calculada.

O que o balanço mostra

Antes do programa, a prefeitura estimava em cerca de 190 mil o número de pessoas que usavam ônibus aos domingos em BH. A média de 265 mil usuários por dia de gratuidade, oito meses depois, indica que o benefício atraiu passageiros que antes deixavam de sair ou usavam outros meios no fim de semana — idas a parques, igrejas, cemitérios e visitas a parentes foram justamente os exemplos citados pelo prefeito no lançamento.

A superintendência de mobilidade avaliou, segundo O Tempo, que a população vem incorporando o Catraca Livre à rotina dos domingos. No fim de semana do feriado, a PBH sugeriu como destinos o Mercado Central, o Parque Municipal e a Praça do Papa, recém-reformada.

Outro detalhe operacional chamou atenção: no sábado de feriado, os ônibus rodaram com a tabela de sábado, e não com a de domingo ou feriado. Na prática, isso significou mais viagens e intervalos menores do que num feriado comum.

O que muda para o passageiro

  • Quando vale: a gratuidade funciona das 0h às 23h59 de todos os domingos e dos feriados nacionais e municipais, em todas as linhas convencionais e suplementares de BH. Se um feriado cair em dia útil ou sábado, a regra também se aplica.
  • O que não vale: linhas metropolitanas (as que ligam BH a Contagem, Betim, Sabará e outras cidades da Grande BH) continuam cobrando tarifa, e não há integração gratuita com o metrô. Se tiver dúvida sobre qual é o seu caso, veja a diferença entre ônibus municipal, metropolitano e intermunicipal.
  • Cartão BHBUS: use o cartão normalmente no validador; nenhum crédito será descontado. Sem cartão, peça a liberação da roleta ao motorista.
  • Horários: em domingos e feriados comuns, as linhas seguem a tabela de domingo, com menos viagens. Confira o quadro antes de sair — o guia por que o horário de ônibus muda no sábado, domingo e feriado explica a diferença. A PBH também indica o aplicativo BHBUS+ para acompanhar os ônibus em tempo real.

Fontes

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